Desejo...

Desejo...
Eu sinto teus dedos passeando por todo meu contorno...(clique na imagem)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Canção do meu Abandono


Não, depois de te amar
não posso amar ninguém!
Que importa se as ruas estão
cheias de mulheres
esbanjando beleza e promessa
ao alcance da mão?
Se tu já não me queres
é funda e sem remédio a minha solidão.

Era tão fácil ser feliz quando tu estavas comigo!
Quantas vezes, sem motivo nenhum,
ouvi o teu sorriso
rindo feliz, como um guiso
em tua boca?

E todo momento
mesmo sem te beijar eu estava te beijando:
com as mãos, com os olhos, com os pensamentos,
numa ansiedade louca!

Nossos olhos, meu Deus! nossos olhos,
os meus nos teus,
os teus nos meus,
se misturavam confundindo as cores
ansiosos como olhos
que se diziam adeus...

Não era adeus, no entanto,
o que estava em teus olhos
e nos meus,
era êxtase, ventura, infinito langor,
era uma estranha, uma esquisita, uma ansiosa mistura
de ternura com ternura
no mesmo olhar de amor!

Ainda ontem, cada instante era uma nova espera... Deslumbramento, alegria
exuberante e sem limite...
E de repente,
de repente eu me sinto triste como um velho muro cheio de hera
embora a luz do sol num delírio palpite!

Não, depois de te amar não posso amar ninguém!

Podia até morrer, se já não há belezas ignoradas
quando inteira te despi,
nem de alegrias incalculadas
depois que te senti...

Depois de te amar assim,
como um deus, como um louco,
nada me bastará, e se tudo é tão pouco...

... eu devia morrer...

J. G. de Araújo Jorge

Um comentário:

Olavo disse...

Muito lindo esse poema...mas entristeceu..
beijos bom ano pra ti