Desejo...

Desejo...
Eu sinto teus dedos passeando por todo meu contorno...(clique na imagem)

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Tribalistas...

...deita no meu leito e se demora...

Garcia Lorca

Amor de minhas entranhas,
morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal.
A pedra inerte
nem conhece a sombra
nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri.
Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Guida Linhares

Ao som de um bolero, me deixei levar
até onde está o teu inquieto coração!
Fechei meus olhos e pensamentos a bailar
voaram para longe, com toda a emoção.

Já não tenho tanta pressa de te ver,
porque sei que queres um amor maduro.
Aquele que quando chega é todo um bem querer,
que nos leva entre as ondas do prazer seguro.

Há todo um mistério nas coisas do céu e da terra,
que por mais que se tente entender a razão,
que uma aproximação entre duas criaturas encerra,
não se chega exatamente ao âmago da questão.

Apenas o sublime sentimento nos move ao encontro,
ao desejo de ver o outro, estar em contato, perceber
que há um coração que bate forte, até ficar pronto,
para vivenciar o êxtase de um momento lindo de viver.

Chico Buarque

O meu amor
Tem um jeito manso
que é só seu

E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz.

Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos,
a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca
e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta:
eles respiravam de antemão o ar que estava à frente,
e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo,
falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez
que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam,
e ao toque a sede é a graça,
mas as águas são uma beleza de escuras
e ao toque brilhava o brilho da água deles,
a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!

Rita Apoena


Então,

quando você me beijar,

vai sentir o gosto da minha escrita,

pois a fim de nunca esquecê-las

eu trago todas as minhas palavras na ponta da língua.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

Banda Catedral

Sobre o amor e o desamor, sobre a paixão,
Sobre ficar, sobre desejar, como saber te amar,
Sobre querer, sobre entender, sem esquecer,
Sobre a verdade e a ilusão,
Quem afinal é você,
Quem de nós vai mostrar realmente o que quer,
Um coração nesse furacão, ilhado onde estiver,
O meu querer é complicado demais,
Quero o que não se pode explicar aos normais,
Sobre o porque de tantos porquês,
E responder
Entre a razão e a emoção eu escolhi você!

Deixe que eu te faça
Um pouco feliz
Mesmo que a distância lhe provoque medos
Tenho um segredo para te contar
O meu coração está apaixonado
Deixa que eu te olhe meio assim de lado
de um jeito descuidado, um pouco relaxado
Mas sempre interessado no teu bem querer
E aí! Não precisa olhar pro mapa não
O Japão é aqui
Pra quem ama não tem essa não
Me dê sua mão e escuta o meu silêncio.
contigo
el silencio
es la precisa abertura
por la que se deslizan
esos enigmas
que los veranos
derraman
de las estrellas

cuando el cielo
de las noches
luce murmullos
y secretas conversaciones


- Piel de la Lluvia - Poem 94 -

Miguel Torga

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Caio Fernando Abreu

"...Na minha memória
Tão congestionada
E no meu coração
Tão cheio de marcas e poços
Você ocupa um dos lugares mais bonitos..."

domingo, 26 de outubro de 2008

Eugênio de Andrade

Vê como o verão
subitamente
se faz água no teu peito,
e a noite se faz barco,
e a minha mão marinheiro.

Joaquim Pessoa

Tempo
Eu quero apenas amar-te lentamente
Como se o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo

Martha Medeiros

...uma mordidinha para sentir o gosto
um cheirinho para sentir o perfume
um beijinho rápido, uma ilusãozinha
a quantos basta uma amostra grátis
não consigo molhar os pés apenas
eu mergulho e só paro quando me afogo
eu me queimo e só paro quando derreto
eu me jogo e só paro quando me param...

Carolina Salcides

Eu me dedico, mas não abdico.
Ajoelho-me, mas não rastejo.
Te entrego meu corpo, minha alma, meu tudo, todo meu melhor:
Meu amor, paixão e devoção.
Tudo que puder.
Como gueixa, como deusa, como mulher

Paulo Leminski


...


morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma

Hilda Hilst

E quantas vezes direi:
és meu.
E as distendidas
Tardes, as largas luas,
as madrugadas agônicas
Sem poder tocar-te
Quantas vezes amor
Uma nova vertente há de nascer em ti
E quantas vezes em mim há de morrer?

Affonso Romano de Sant' Anna

Debaixo de minha mesa tem sempre um cão faminto
Que me alimenta a tristeza.
Debaixo de minha cama tem sempre um fantasma vivo
Que perturba quem me ama.
Debaixo de minha pele alguém me olha esquisito
Pensando que eu sou ele.
Debaixo de minha escrita há sangue em lugar de tinta
E alguém calado que grita.


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Florbela Espanca



Esquecer
Que filtro embriagante
Me deste tu a beber??
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer...

Martha Medeiros

Saudade é não saber.

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,

Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,

Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,

Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Mariza Lourenço


— Tá olhando o quê?
— O céu.
— Por quê?
— Quero ver se encontro ela.
— Ela é estrela?
— Não é não.
— Se chamar ela vem?
— Quem dera viesse!
— Por que quer que ela venha?
— Porque tô com uma dor estranha...
— Onde?
— Aqui dentro. Acho que é no coração.

Joaquim Pessoa

Tempo

Eu quero apenas amar-te lentamente
Como se o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

" Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo..."


Adriano Hungaro

Poemas Murmurados

Me deixa ouvir sua voz mais uma vez
Eu quero ouvir sua voz e os seus gemidos
Com poemas murmurados de suplícios
Com poemas de amor em meus ouvidos

Me deixa ouvir sua voz mais uma vez
Eu quero renovar os meus sentidos
Pois ouvindo a sua voz mais uma vez
Afasto a dor do tédio que é comigo

Me conte os teus poemas sussurrados
Poemas que são tão apaixonados
Poemas para a minha noite em claro
Poemas que me deixam estonteado

Poemas murmurados em meus ouvidos
Poemas de amor aos meus sentidos...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Caio Fernando Abreu

Ficaram se olhando.
Completamente dourados, olhos úmidos.
Seria a brisa?
Verão pleno solto lá fora.
Bem perto dela, ele perguntou:
- O quê?
Ela disse:
- Sim.
Puxou-o pela cintura, ainda mais perto.
Ele disse:
- Você parece mel.
Ela disse:
- E você, um girassol.
Estenderam as mãos um para o outro.
No gesto exato de quem vai colher um fruto completamente maduro.

Affonso Romano de Sant´Anna

Deixa que eu te ame em silêncio
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas
e a pele falem seus líquidos desejos.
Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se o amor e a vida
fosse um discurso
de impronunciáveis emoções.

Florbela Espanca

Escreve-me

Escreve-me!
Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto daçucenas!
Escreve-me!
Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
"Amo-te!"
Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então... brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Carlos Drummond de Andrade

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


António Gedeão

Pensar em Ti

Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de louça
que apenas como o pensar te pudesses partir.

"Os sonhos são pensamentos esquecidos pelo tempo."

Cáh Morandi

É Perigoso

É perigoso brincar com fogo, fazer fogueira,
Me acordar no meio da madrugada
Se quiser dormir ela inteira
Eu sei das manhas tuas
Deixo as costas nuas
e um beijo na nuca me acordar
Você corre um grande risco
Você nem imagina o perigo
Que é ficar preso no meu olhar

Cáh Morandi

Ilumina-me

o sol reflete direto no seu sorriso
e isso não é certo, isso não é bom
o reflexo bate em mim
fico assim, quase cega
de te procurar, ver você radiar
e você quase vira uma estrela
em plena manhã de sexta-feira
no meu quarto escuro
risos e absurdos
você que brilha,
você que me faz brilhar

isso não é certo,
você sair pelas ruas
andando sem pressa alguma
enquanto fico na loucura
de tanta gente te fitar
você que é tão bonito de olhar
essa multidão que te cerca
mas você é a coisa mais certa
aonde quero chegar
você que apaixona,
você que me faz apaixonar

Cáh Morandi

Aprendendo
como não me apaixonar
não me render, não me entregar,
não me completar com
tudo que é você;
que me rouba o pensamento,
que me deu meu melhor momento,
que tem me ensinado o que
eu não sei do verbo amar

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Fernando Pessoa

Eu quero um colo, um berço, um braço quente em torno ao meu pescoço, uma voz que cante baixo e pareça querer me fazer chorar. Eu quero um calor no inverno, um extravio morno de minha consciência e depois sem som, um sonho calmo, um espaço enorme, como a lua rodando entre as estrelas.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Paulo Coelho

"O medo de sofrer é pior que o próprio sofrimento.E nenhum coração jamais sofreu quando foi em busca de seus sonhos."

Cáh Morandi

Conselho

Aconselho-te
Me olhares mais nos olhos
Porque tua boca é muda
E teu olhar fala, fala, fala...
Por ele exala
O que tua voz cala.

sábado, 11 de outubro de 2008

Caio Fernando Abreu

"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus...como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!!"

Felicidade

Se ele pudesse,
chamaria todas as árvores e todos os pássaros
para que o ouvissem,
conversaria com o Dia e conversaria com a Noite,
e casaria o Sol com a Terra,
e pediria ao mar suas espumas
ao espaço as suas brumas,
às árvores suas flores
ao céu as suas estrelas
para tecer o imenso véu...

E pediria ao mundo um pouco de silêncio
e pediria ao céu que descesse um pouquinho
do céu...

J. G. de Araújo Jorge
In: "Amo!"

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Affonso Romano de Sant'Anna


Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.
O grande amante é aquele que silentes
e aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.
Uma coisa é a letra,
e outra o ato,
quem toma uma por outra
confunde e mente.

Gilka Machado


De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?
De quem é esta saudade,
de quem?
Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios - desejo...
E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...
De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?

No Quiero

Yo no quiero sólo recordarte,
Te quiero presente.

No quiero que seas sólo una idea.
No quiero verte sólo en mi alma.
Quiero verte con mis ojos;
Quiero el placer de la visión.

Actual.

No quiero que llenes
un espacio lejano,
Quiero que llenes el lugar
que hay frente a mí.

Te quiero inmediata,
tal como eres en este instante.
No sólo como lo fuiste,
o como lo que seras.

Te quiero actuando
directamente sobre mis sentidos.
Accidental,momentanea y eterna.

Fluyendo.

No quiero sólo tu belleza
íntima y esencial.
Quiero también la superficie
de tu materialidad.

Te quiero sobre
las olas del tiempo.

No te quiero sólo como
posibilidad poética.
Te quiero también como poesía en acto.

Que seas placer y dolor corporal.


Jorge Luis Gutiérrez

Caio Fernando Abreu

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado,
alimentando beija-flores que,
depois de prová-lo,
transformam-se magicamente
em cavalos brancos alados que voam para longe,
em direção à estrela Veja.
Levam junto quem me ama,
...me levam
junto também.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

por que será que tem dias que essa saudade dói mais??
e fica essa impressão de infindável...
de eterna e tão grande...
saudade de você...
ai

Adriano Hungaro

Pode ser que entre nós
Não exista quase nada
Que os olhares que nós demos
Nunca virem duas palavras

Pode ser que tudo é vão
Que assim é vã a espera
Pode ser que entre nós
Nunca existam primaveras

Pode ser que o nosso encontro
E sua grande infinitude
Nunca passe de quimera
Seja apenas - gesto rude

Pode ser que seja isto
Pode ser um pouco mais
Mas até eu concluir
Esse amar é minha paz.

sábado, 4 de outubro de 2008


Despe-me
ou deixa que eu me dispa
e depois veste-me
pouco a pouco
de carícias...

Adoro quando seu corpo

não decide

se vai

ou fica,

se vai

ou fica,

se...

Ai...

Fica!!

Clarice Lispector

O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente.

O amor já está, está sempre.


Falta apenas o golpe da graça
que se chama paixão.

Letícia Thompson

Há coisas bonitas na vida

Bonitas são as coisas vindas do interior,
as palavras simples, sinceras e significativas.

Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos...

Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa
ou as noites enluaradas de verão em que todos saem de casa.

Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente ao amigo, amiga, namorado...

Bonito é achar a poesia do vento, das flores e das crianças.

Bonito é chorar quando se sentir vontade e deixar que as lágrimas rolem sem vergonha ou medo de crítica.

Bonito é gostar da vida e viver do sonho.

Bonito é ser realista sem ser cruel, é acreditar na beleza de todas as coisas.

Bonito é a gente continuar sendo gente em quaisquer situacões.

Bonito é você ser você!

Angela Moura

Desatando os Nós...

Que tal a gente tomar coragem para desatar os nós que amarram nossas vidas?

Pelo menos, podemos tentar...

Hábitos são verdadeiros " nós cegos "...

Não se sabe onde começam, nem como terminam...
Atrás dos hábitos se escondem nossas verdadeiras carências afetivas.
E os hábitos que foram criados para compensá-las, acabam por nos impedir de que as enxerguemos com clareza. Que nó danado!!!
Aí, a pessoa se apressa, faz aquele regime maluco e consegue perder até a alma ...
ou pára de fumar aqueles três maços de cigarros do dia,
ou de beber a dose da noite ... até se afasta daquela pessoa que só traz dores de cabeça...
Que maravilha !!!
...Mas, passado um tempo, volta tudo a ser como antes...
E o nó vai ficando pior ainda, né?
De tudo que tenho visto, o mais interessante e simples a seguir é a receita:

Sim, a Receita do Nenê...


* É fácil... Acordar cantando...(não vale chorar nem acordar a casa toda, né? ).
* Espreguiçar-se muito, antes de se levantar da cama...
(ainda lembra o que é ???)
* Pegar todo dia o solzinho da manhã, de preferência, acordando mais cedo para uma caminhada sem pressa...
* Mostrar que quem a gente ama é muito importante para nós...
* Pedir colinho, sempre que possível (às vezes, a gente tem que dar também).
* Beber muita água e fazer muito "xixi"
* Fazer primeiro, para receber depois: Muito dengo e carinho...
* Confiar e amar quem a gente ama, cada vez mais...
* Ignorar todos os chatos que não gostam de criança, de flor,
de carinho, (de e-mail !!!), e de nós...
* Dar atenção a todos que se aproximam de nós, mesmo a quem acabamos de conhecer.
* Adorar ouvir o que as pessoas (que a gente ama) falam e respeitar o que fazem...
* Sorrir para todos e para a gente mesmo...
* E rir, rir, mas rir muito,sempre que não tiver motivo para chorar...

Quer experimentar ?!? Depois de um tempo, você vai esquecer...
Ou perguntar:

Cadê o Nó...??

Zeca Baleiro

"...Ando tão à flor da pele,
Que qualquer beijo de novela me faz chorar,


Ando tão à flor da pele,
Que teu olhar flor na janela me faz morrer,


Ando tão à flor da pele,
Que meu desejo se confunde
com a vontade de não ser,


Ando tão à flor da pele,
Que a minha pele tem o fogo do juízo final ..."

Fernando Pessoa

"Eu quero um colo,
um berço,
um braço quente em torno ao meu pescoço,
uma voz que cante baixo e

pareça querer me fazer chorar.
Eu quero um calor no inverno,
um extravio morno de minha consciência e
depois sem som, um sonho calmo,
um espaço enorme,
como a lua rodando entre as estrelas..."
.
...eu quero vc...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Maria Tereza Horta

Um beijo no joelho...

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho
Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarse
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Olavo Bilac

ama_me.jpg

Mais abaixo

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem,
quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! - num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem!
- disse ela, louca.
Moralistas, perdoai! Obedeci
...